quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

Bum bum boom

As noites difíceis são fáceis de escrever. Assim o digo desde o dia em que criei o blog, assim o direi enquanto forem nelas que mais confortável me sinto a juntar palavras.
A chuva lá fora castiga as vidraças, como que a lavar-lhes os pecados cometidos durante o Verão. Limpa-lhes as mágoas e desilusões. Perco-me ao som dos chuviscos. Ganho-lhes medo. Medo não, respeito. Medo um homem não tem. O coração acompanha a batida, gota a gota, multiplicadas por mil.
Apaga a luz, quero dormir. Eu também quero, mais ainda não é já. Tenho umas contas a ajustar com o teclado. E com a barra intermitente que espera indefinidamente à frente da última palavra dactilografada.
Queria escrever sobre tudo e sobre coisa nenhuma. Queria escrever um soneto que o mundo adorasse e outro a que ninguém ligasse coisa alguma. Queria mudar o pretérito perfeito para o presente indefinido e fazer dele uma cabana de sem abrigo, daquelas com quatro estacas mal apoiadas, que pouco fazem para segurar a cobertura. As paredes, essas, são pedaços de palmeiras mal cortadas. Esteticamente deploráveis, com péssimo isolamento acústico e térmico. Perfeito. Perfeito, em tempo verbal, só o pretérito mais que perfeito. Conjuguem-no vocês, hoje vagueio pelo presente. Na cabana mais que perfeita. Com as piores condições do mundo. Construí-a de dentro para fora. Esqueci-me da porta. Bom erro. Podia bancar uma de lobo emo solitário e açambarcar a filosofia do "nada do que existe lá fora me interessa verdadeiramente". Problema resolvido. Bem, a verdade é que interessa. E se este mundo é grande demais para se condicionar a uma barraca mal dimensionada, mais vale irromper pelas cortinas de palmeira e abdicar do ar rarefeito. Melhor, redimensionar. Estudar alternativas. Remodelar materiais, aproveitar espaços e executar na perfeição – tirem-me a perfeição, tirem-me tudo. Fazer da cabana um palacete. Duas salas. Minto, salões. Quatro quartos. Suites. Duplas. Tudo com lareiras e envidraçados gigantescos, para a chuva castigar o Inverno todo. Para que quem lá dorme – ou tenta dormir, nas suas noites difíceis – se lembre que pior que uma noite difícil numa suite dupla, seria uma noite quase perfeita numa barraca com paredes de palmeira.

domingo, 6 de Dezembro de 2009

Amores e desamores

Há uma dicotomia que gostava de explorar aqui, de um prisma diferente do que foi feito já inúmeras vezes. Analisemos o Amor Trágico e o Amor Feliz - chamemos-lhe assim. Peçam a um escritor para escolher e que venha o Amor Trágico numa bandeja. Ele não quer saber se têm jeito, se não têm. Ele quer é que chorem baba e ranho, e despejem a raiva numa folha de papel, numa guitarra, numa tela ou até num jogo de futebol. O Amor Trágico passa o dia a ouvir rádio para encontrar uma letra de uma música com que se identifique; lê livros até cansar a vista para se resumir a si próprio numa frase; procura em todo o lado pequenos pormenores que lhe provem que não está só no mundo, na sua grande e inefável tristeza.
O Amor Feliz não. O Amor Feliz é um íman. Atrai tudo o que o Amor Trágico faz questão de dificultar. Não enche medidores de desabafos, não fertiliza o negro e o azedume que paira na criatividade, põe-te um sorriso na cara e ainda faz os dias mais bonitos. Não pede nada em troca e ainda te cumprimenta todas as manhãs.
O Amor Trágico faz chover no Inverno e no Verão. Escolhe roupas mal combinadas, obriga-te a ir com elas e a arrepender-te a meio caminho. Leva-te a escolhas mal ponderadas e a arrependimentos de palmo e meio. Traz-te sem nada na mão e deixa-te à porta de casa sem chave para entrar. Pior, tu gostas. E repetes. Não queres sair da rotina porque é aquela a que estás habituado.
O Amor Feliz deixa-te tão hipnotizado que nem reparas como chegas a casa tão depressa. Esqueces-te da chave mas a porta está encostada, por sorte. Ficas com desejo de Bolo Rei e, por sorte, está um por abrir na mesa da cozinha. Vais-te deitar na cama feita com lençóis lavados e, por sorte, já aberta. No fim, nem te ocorre pensar sobre a sorte que tiveste, durante o dia.
O Amor Trágico faz-te passar Noites Difíceis, culpa-te a ti e os outros por não conseguires adormecer, e ainda define o despertador para te acordar mais cedo que o previsto. Despenteia-te da forma mais irresolúvel possível e desenha-te as maiores olheiras da turma. Chama-te tudo, menos pelo teu nome. Tu agradeces. Mas não adormeces. Querias. Mas não adormeces. Direita, esquerda, direita outra vez, desespero e uma volta na varanda. O quente da cama ajuda. O Amor é que não.
O Amor é fodido, dizia o MEC. Quem o fodeu fomos nós, digo eu.

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Thougts of a dying atheist

Dirigiu-se à varanda, abriu as portadas e respirou o ar gelado. Não estavam mais que cinco graus, lá fora, e o grito da noite era um voto de silêncio. Acendeu o último cigarro, esfregando as mãos uma na outra para enganar o frio. Tirou da mochila a máquina fotográfica e registou a cara da cidade, naquele instante, vezes sem conta. Tantas vezes já o tinha feito e tão poucas lhe soube que se estava a repetir. Havia algo ali de difícil descrição. Algo a pedir o uso do velho ditado, uma imagem vale por mil palavras. Ao fim de cem disparos considerava-se na posse de cem mil palavras. Escrevera uma enciclopédia sobre ela, pensou. E mesmo assim não bastava. Queria mais. Queria todas as páginas do universo manchadas com a tinta da sua caneta velha. Queria tatuar aquela cidade em todos os cantos do planeta, para que este se apercebesse que, apesar de pejado de inúmeras outras, possuía apenas uma assim. E que apenas aquela lhe fazia ganhar - nunca perder - a noite a fitá-la, horas e horas, na esperança de a descrever exactamente como a vê. Chamar-lhe-iam louco, no dia em que o fizesse, caso o lessem. Considerar-se-ia louco, se não reservasse uma vida para o testar.

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

MUSE!

Só para vos causar inveja, fui ver Muse, ao Pavilhão Atlântico, e foi - permitam-me que abrevie a descrição - indescritível!
Para continuar a inveja, estava na frente, ao centro, da plateia, a uns 10 metros de distância do super Matt.
E sim, eu fui um entre aquelas centenas de pobres coitados que apanharam chuvada atrás de chuvada durante o fim de tarde, enquanto esperavam em filas desordenadas pela abertura das portas.

Pontos altos: A entrada, a New Born, United States of Eurasia (que se transforma, ao vivo, claramente), Stockholm Syndrome e o fecho, com a inevitável Knights of Cydonia.
Faltou a Bliss, Butterflies and Hurricanes e a Cave, entre outras que não tinha sequer esperança que tocassem.

De resto, 'See you all next year, Portugal!'


Para quem quiser ver a intro do concerto, que foi fenomenal, está aqui.

PS: O vídeo não foi gravado por mim. Com tanto gajo suado, musculado e exaltado à minha volta, se sacasse o telemóvel do bolso ainda acabava na cabeça do Matt.

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Um anexo político

Mais uma vez todos os partidos ganharam. O PSD perdeu 20 câmaras, mas ficou ainda com mais 8 que o PS. Desta forma o PS conseguiu mais 20 câmaras do que tinha e teve mais votos que o PSD, por isso ganhou. A CDU ficou com menos 4 câmaras, mas conseguiu ter mais que o CDS e o Bloco de Esquerda. O CDS ficou com as mesmas câmaras e por isso não perdeu. O mesmo sucede com o BE. No entanto, em meu entender, o grande vencedor foi o povo, que começou a entender que promessas de vento e bolas de espuma não é propriamente o que interessa. Como não há regra sem excepção, Isaltino e Valentim continuam no poder.

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Borboletas

Acende-se um candeeiro na rua escura, iluminando o caminho que percorres, taciturna. Fito-te, sentado no banco do jardim. Conto os segundos - que fazem o velho truque de parecerem horas - que demoras a alcançar-me. Os espaços verdes que vais ultrapassando perdem relevância em tua função. Tenho visão afunilada, quando nela estás centrada, a paisagem tende a escapar-me. E tenho-me como bom observador. Acenas e sorris, e assim me fazes a mão, apoiada no banco, tremer. Talvez o banco tenha tremido, talvez tenhas reparado, evoluíste o sorriso para riso, e a minha ansiedade em felicidade.
Dás-me um beijo com carinho, como as mães dão, perguntas-me se está tudo bem. Agora está, apeteceu-me segredar.
O candeeiro que tinha renascido voltou a sucumbir, entretanto. Pergunto-te se foste tu, farto de saber que se apagou por estar longe de ti. Resmungas qualquer coisa imperceptível, e, reparando na minha cara, ris-te. Não percebes nada, tonto, ele tem ciúmes teus. Quis chamar-me à atenção quando passei por ele, porque sabia que eu vinha para aqui. Os candeeiros são tramados. Tramada estás tu, depois de me contares esse segredo. Tu e o candeeiro.
Desenhei uma serra no horizonte e mil vivendas com luzinhas, cheias de borboletas - já tinhas visto tantas borboletas a esta hora? Nem eu - para dar um toque romântico à noite. Meti uma lua cheia, bem grande, e 130 estrelas no céu. Contei-as duas vezes, só para ter a certeza que eram mesmo 130. Dizem os velhinhos que contar estrelas provoca o aparecimento de cravos. É por uma boa causa, arrisco. O céu azul petróleo e o banco verde, onde estamos, de madeira gasta e suportes velhos. Ameaça ruir a qualquer segundo, mas confio que a resistência nos aguente, afinal de contas não somos assim tão pesados. Senhor Banco, gostávamos de passar uns minutos aqui sentados, será que nos permite? O candeeiro meteu cunha para que eu me partisse, mas não vos faria tal coisa. Pisco o olho ao candeeiro e ficamos sentados, horas e horas, dias e noites, anos e vidas. Levantamo-nos, dormentes, e guardas-te por baixo do meu braço em direcção a casa. Ao passar pelo candeeiro aproveito para lhe deixar um pontapé, pequenino, só a tirar um bocadinho de tinta. Rui, comporta-te. Um beijo, agora, só para ele ficar irado, pode ser? Se fica irado por um beijo, vai sofrer a vida inteira. Isso é uma ameaça? Não, é uma inevitabilidade.

sábado, 3 de Outubro de 2009

Sou de Magogo

Eu tentei que fosses incomensurável, sublime. Tão graciosa que doesse a garganta ao gastar o teu nome numa esplanada de café. Um dia vi-te sorrir e prometi-me nunca mais esquecer-te. Quis o fado privar-me a vida, o sorriso e o meu rosto. Tira-me tudo, menos o Amor, retorqui. Falei de pé, elegante e seguro, com voz austera. Entendeu-me perfeitamente, compreendia a minha situação, mas vociferou que os desígnios do Amor são incompreensíveis para nós, meros mortais, que talvez um dia os açambarquemos. Até lá, navegaremos. Muni-me de barco e vela, remos para dias calmos e pachorrentos. Coincidências, concluí. Tudo nasce de coincidências. Se tudo nasce do mesmo, não será paradoxal deduzir que é coincidência tudo nascer de coincidências? Calhou ver-te, falar-te, olhar-te, desejar-te, tocar-te, beijar-te, amar-te e chorar-te. Será também coincidência tudo acabar em arte? É esta arte que cria o Amor, vinda não se sabe de onde, provocada não se sabe porquê, que embala os dias tristes e exalta os dias bons, como um melhor amigo que está sempre lá, que não falha ou desilude.
Um dia vi-te sorrir e prometi-me nunca mais esquecer, não a ti, mas à parafernália de sensações eléctricas com que me bombardeaste. Pediste-me um segredo, escondi-o atrás da orelha: Sorri, pois quando sorris o mundo sorri contigo. Chora, e parte dele não parará de rir.

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Old School

Os gajos de traje ficam todos bons. Isso é ponto assente. Quando uma pessoa os vê de roupa normal é que vê se eles realmente prestam ou não. Tu não deixas mesmo nada a desejar! Pois não. De dia era diferente. Era. És o melhor gajo de Coimbra! Só de Coimbra? Do mundo! 'Tá melhor. Mesmo assim já houve melhor. Onde vais agora? Dançar contigo. Vais? Então vamos. E fomos. E já estou a ver as minhas amigas todas roídas p'ra te conhecer. Mas eu não deixo. Ficas aqui comigo. São bonitas? São. Não eram. Mas podiam ser. Pena. De qualquer maneira, esta é a Andreia. Esta a Joana. Esta a Inês. Muito giras. Cof. Vamos ficar aqui a fazer de conta que elas são fixes muito tempo? Não ficamos. Nem nos ficamos. Acaba a música? Desde quando? Fazemos nós. Não posso beber muito senão raptavas-me e aproveitavas-te de mim em tua casa. Querias. Queríamos? Podes sempre fingir e fazemos as coisas na mesma. E ria-se. Já tinha bebido o suficiente para ser raptada. Rapto? Estou de rastos. Também. Vamos ser ombros amigos. Já somos. Canta Red Hot. As minhas amigas também cantam. Chamam-lhe cantar red hot por estes lados? Se chamarem, alinho. A música já parou à um pedaço. Já temos de ir? Ficamos cá para amanhã. Mi casa, su casa? Querias. Bastante. És um gajo do caralho.

domingo, 20 de Setembro de 2009

Sim ao não, não ao sim. E vice versa. Hmm.

Eu já sabia. O pressuposto - adoro esta palavra - de se saber algo só pode estar relacionado com duas componentes: factos ou intuição. Gosto dos dois. Conjugados ainda melhor. Conjuguei-os no dia em que te conheci, visto que a intuição que desenvolvi na minha cabeça era de que viraríamos facto. Soube no momento em que te disse olá, naquela viela mal frequentada e no momento em que te disse adeus, no mesmo dia, com saliva tua digerida, perto dos bancos do mercado. Chamaste-me lírico e eu ri-me. Disse-te que ainda haveria de casar contigo e riste-te ainda mais que eu. Um dia vamos mesmo casar, e vou para o altar com um papel amarrotado no bolso, abri-lo-ei depois de dizer o sim e mostrar-te-ei a palavra lírico, em maiúsculas. Cross my heart. Quando te vi não consegui dizer não, aguentas todos os sim que guardei nas gavetas? Aviso, desde já, que são seis - as gavetas. E bem grandes. Cobra-me, gasto um sim para te confessar que sou teu. Gasta um teu para dizeres que me aguentas. Olá, o meu nome é Rui e vim de longe para te encontrar, queres gastar uma vida comigo? Ou duas, se tiveres tempo. Diz que sim e sê feliz por pouco tempo. Pouco tempo? Lembra-te, contigo a vida passa a correr, estou pronto para a aproveitar.

A long long time ago

Doíam-me as pálpebras do tempo que levavam encolhidas. Abri o livro enorme que pairava na mesinha de cabeceira, sem medo e confiante. As páginas foram ficando turvas à medida que as folheava, comecei a reler parágrafos que ficavam perdidos a meio. Não tardou para que cedesse a saltar palavras, frases e parágrafos. Perder-me na pontuação e na gramática e acabar confuso com os recursos estilísticos. Não tentava dissecar as verdadeiras mensagens por trás de um simples monólogo. Deixava-me ir, sem forças para mais. Na última página, na última palavra, baixei os braços e deixei que o livro me escorregasse, lentamente, das mãos. Sem absorver metade da mensagem, tinha a história presa na cabeça. Era tão complexa que mais parecia ter acabado de ler uma obra filosófica. Mas não, era simples e delicada. Longa, dramática e extenuante. Fechei os olhos e vi o texto numa tela gigante, a cores. As palavras deram lugar a vozes e a imaginação passou a ser real. Peguei em mim e fugi. Guardei-me no quarto, fechei-me a sete chaves e parti três apoios do tecto. Desabou. Deixei que fosse caindo, peça por peça, castigando-me aleatoriamente. As feridas jorraram sangue que me escorria face abaixo. Não me cobri, não me escondi, não fugi. Deixei-me ficar, enquanto sentia todo o betão a ceder, vagarosamente. Senti um braço, pequeno, puxar-me. Anda, fica aqui ao lado, vais ver que acalma. E acalmou, como por magia. Desinfectou-me com álcool e coseu-me as feridas. As cicatrizes ficarão para sempre. Só para me recordar que já lá estavam antes. Descansa, foi uma noite difícil, és profissional nisso, lembras-te?

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

O Carlos Cruz, por exemplo

Há dias em que acredito quando me dizem que podia ter qualquer coisa no mundo, outros em que acredito no contrário - embora isso nunca o digam (mera questão de respeito, presumo). Que seja a teoria do falhado, mas por muita boa aparência e background económico - chamemos-lhe assim - que um gajo tenha, as coisas não caem do céu. E a palavra coisas pode facilmente ser substituída por termos menos correctos que não se coadunam com a elite linguística por que sempre primou este blog.
Foda-se, vocês bem sabem que eu acho que os feios estão desgraçados, mas quem não articula um verbo e um substantivo está perto disso - de ser feio, entenda-se. Está menos mal, mas está perto.
Jesus descia à Terra e fazia-me optar entre ser bonito, podre de rico e burro, ou com um QI à Einstein com... vá lá, a aparência do mesmo, para abreviar a descrição. Eu quero bem que se fodam os avanços na física quântica, o que não faltam são batas brancas a descobrir o que me levaria uma vida a investigar. Muito mais interessante seria ir tomar o pequeno almoço ao Dubai e ir cagá-lo à Polinésia Francesa. Na mesma manhã. E enganar-me no quarto de banho e ir parar à cozinha, visto que seria burro, encontrar três empregadas soviéticas ex-modelos - as ex-modelos têm qualquer coisa, não sei - prontas a expulsar-me e acabar a comprá-las como escravas sexuais. E durante o acto cagar o resto do pequeno almoço e o mojito que tinha enfardado a seguir - note-se que o enfardado advém da linguagem rude que deveria ter, como burro que era (e dizem vocês: mas quem tem linguagem rude não tem necessariamente de ser burro. Tem tem, foda-se. Não basta sê-lo, é preciso parecê-lo. Quando um gajo vê um imbecil a dizer, por exemplo, disseste-zia, não deduz que ele trabalhe num laboratório de investigação da NASA. A não ser que faça a limpeza das casas de banho. Fim de parêntesis.), na poltrona branca da suite virada para um paraíso qualquer, por mera confusão com uma sanita. Era provável que soltasse um riso desprovido de inteligência e elas ficassem a olhar para mim. E depois continuavam o que estavam a fazer, com mais três notas de quinhentos euros entaladas num sítio qualquer, só para não fazerem caso.
Ou isto ou passar os dias na minha cadeirinha, com os meus livrinhos e tubos de ensaio, a realizar experiências para tentar livrar o mundo da sida (ou dos cães), com os meus amiguinhos investigadores - note-se, homens, sempre rodeado de homens, porque os inteligentes vêm-se gregos com as mulheres, logo, juntam-se e formam os clubes de leitura e essas merdas - e de repente um de nós saltar de alegria e desatar a dizer eureka para a frente e para trás, como o ídolo Einstein, e vai a ver-se e descobriu-se... uma possibilidade de atenuante para o vírus duma doença que não interessa a ninguém. A notícia nem sequer chega a passar em rodapé no jornal da noite (já as que passam... 98% da audiência ignora, imagine-se as que não passam), mas ganhamos o dia, festejando com uma actualização do twitter a contar o sucedido, cujos seguidores (ainda mais bichos-do-mato que nós) nos dão os parabéns. É a loucura.
Importante: qual é o ponto de tudo isto? Eu, se fosse gaja, preferia ter um filho dum gajo bonito e burro, a um inteligente e feio.
Primeiro, porque - não sei se estão familiarizados com o conceito de filho, conjugação de adn, hereditariedade e afins - os putos tendem a ser uma mistura dos pais (e avós e tios e primos e por vezes do carteiro), logo, se vocês, gajas, forem inteligentes, escolhem o gajo bonito e burro e rezam para que haja possibilidade de ele ser bonito - do pai - e inteligente - da mãe. Senão, partindo do princípio que querem engravidar do Einstein, ele sairá feio com toda a certeza (nenhuma gaja gira quer foder o Einstein) e poderá haver a possibilidade de sair burro. Imaginem a dor.
Ou então nasce preto e ainda acabam a levar porrada do suposto pai por ter assim descoberto aquela noite de copos passada na Amadora. Histórias.
Resumindo, o meu conselho é... querem pinar, pinem os giros. Querem casar... casem com os giros na mesma. Se for com um rico e burro façam-no em comunhão de bens. E mesmo que os putos saiam mesmo burros, caguem nisso, quem quer putos por perto quando se pode tomar o pequeno almoço no Dubai e ir cagá-lo à Polinésia Francesa?

sábado, 22 de Agosto de 2009

Back to basics

Como podem deduzir, sobrevivi. E voltei!
Definição de férias, segundo o dicionário Priberam:
Interrupção relativamente longa de trabalho, destinada ao descanso dos trabalhadores em geral.
Não percebo a parte do descanso, visto que parece que cheguei com mais 20 anos em cima, mas tudo bem.
De resto, digam-me vocês, daqui para a frente, se os neurónios se foram de vez, ou nem por isso.
Tinha muitas saudades vossas, mas - perdoem-me a sinceridade - ficava-me pela interrupção relativamente longa de trabalho mais uns belos tempos. Enfim, duty calls.
Beijinhos e abraços.


Ah, surpresa, até no paraíso tropical para onde fui consegui ser abordado por causa do blog, é por estas e por outras que decidi que, a partir de agora, quando começar a escrever um texto, vou fazê-lo como se Portugal inteiro me fosse ler a seguir. Obrigado Jesus All Mighty por estas pequenas prendas.

Gays e Pretas

Conversa à mesa, hoje, cá por casa. Nota: eu não estava à mesa, estava por perto, mas ouço tudo. Se o meu filho fosse gay, ou namorasse com uma preta, eu não ficava nada contente, nem sei se o apoiava. Mas que atitude vem a ser esta? Primeiro, se eu fosse homossexual não era gay, era paneleiro, porque paneleiro é de homem, gay é de rabeta elitista que acaba por meter tudo que encontra na cavidade anal. Depois, namorar com uma preta é daquelas coisas que, vá lá, sempre foi um fetiche meu – caso Jesus, em troca, me tivesse oferecido o extermínio da raça negra já pensava melhor. Isso e apanhar alfinetes com luvas de boxe. Por último, não ficar nada contente e não saber se me apoiarias, cara Mãe, é, no mínimo, ridículo. Pensava que estava numa família de altos valores, cuja sanidade mental está entre os pilares da nossa estrutura. Parece que não. Eu ensino: Se o teu neto – sim, porque agora tenho a certeza que vou ter, pelo menos, um filho, se a Solange F está grávida e só se mete no esfreganço, eu já devo ser pai de gémeos por esta altura. Eu e todos, cuidado. Voltando ao neto: Se o teu neto algum dia virar paneleiro – porque ele gay nunca vai virar -, a primeira coisa a acontecer é, provavelmente, uma queda acidental pelas escadas abaixo. Sem direito a cuidados hospitalares. Talvez alugasse um africano - um maliano parece-me bem, são indivíduos com aparência de quem tem o que é preciso - avantajado e o fechasse numa divisão pequena e escura com ele, de maneira a que ele ficasse com tanta aversão a pilas que nunca mais quisesse tocar em nenhuma. Muito menos com o rabinho, coisa que eu pagaria com prazer ao maliano para desfazer a seu belo prazer. E com tal medida fazia um dois em um: nem paneleiro, nem ideias de ter relações com pretos. Caso a medida não resultasse, voltar a repetir até resultar. Sei que por vezes sou um pouco brando nestas coisas, mas é a minha forma de agir, acredito sempre que as pessoas podem mudar através de conselhos e demonstrações práticas. Acredito também que o meu pai, não se tendo expressado de forma tão correcta como a minha mãe, possa apoiar a minha visão das coisas, e talvez até já ter sonhado em fazer-me isso caso eu fuja para o darkside. No entanto acho que a vontade que ele teria em fazer-me isso – caso eu virasse – é suplantada pela enorme crença de que eu nunca me metia nessas coisas. E nisso, como em tudo, ele tem razão. E se é o meu pai a achar, quem sou eu para contrariar?

Run, wild and free

Quis escrever-te o poema mais bonito que alguma vez lerias. Sabes o quão frustrante é não o conseguir fazer? Queria fazer-te sentir metade do que me fazes sentir, sem dares por coisa alguma. Que visses o mundo pelos meus olhos, só para que confirmes que o acho bonito por te albergar nele. Tu não acreditas, (mas) é verdade. Devias. Devias acreditar nas minhas visões e ambições, nos meus desejos e projectos, que para onde quer que fluam, desaguam sempre em ti. Eu sou o rio que corre para junto de ti, de caudal apressado e sentido único, da nascente à foz, porque o tempo é pachorrento quando não estás comigo. Inundo-te à minha chegada, banho-te o rosto e despejo-te a ansiedade que trouxe. Desculpa-me o mau jeito, mas é isto que me fazes. Não tenhas medo de nadar em mim, a corrente é forte mas tens pé em todo o lado. Certifico-me disso, todos os dias, juro. Sou rio para que possas chorar as lágrimas que quiseres, encarrego-me de as misturar na corrente, ninguém notará quando estiveres triste. Não preciso que acredites no rio que sou, basta-me que te deixes levar por mim, prometo que te levarei a bom porto, sempre segura, sempre bonita, sempre feliz.

sábado, 1 de Agosto de 2009

De férias

...desta vez eu, não o blog. Ou melhor, o blog também, visto que ele sem mim não anda. A não ser que encontre um espaço internet no paraíso turístico para onde me dirijo nos próximos 15 dias, aí sim poderei abdicar do calor e da noite para vos escrever até não mais poder. Ou então não, mas juro que me vai passar pela cabeça. Farewell, my friends, prometo voltar com cirrose.
Este post serve para evitar a rotina que ocupa os vossos dias: fazer refresh neste link.
E que dediquem mais tempo a alguns como este.

Beijinhos e abraços, e depois não digam que não sou amigo.

segunda-feira, 27 de Julho de 2009

Esperas e planos

Contei as horas passarem, enquanto olhava a luz esfumar-se pela janela com a cortina aberta. Irrompeste da noite, fazendo do quarto escuro o local mais brilhante da cidade. Escondi-me, no rasto de borboletas que deixavas pintadas no chão, a cada passo. Eram azuis, bem claras, e esvoaçavam tristes, como se deixarem de fazer parte de ti fosse a maldição superior que lhes tinha sido reservada. Com inveja, olhei a cadeira onde te sentaste, vagarosamente, de ar cansado. Despes as angústias do dia-a-dia e escolhes a expressão facial perfeita para me tirar um sorriso – ainda maior. Parar o olhar em ti, nestes momentos, é tão sublime que me faz querer passar horas a antecipar o toque da tua pele. Talvez para saber melhor, talvez de tão bonito quadro se tratar. Um dia vou comprar-te um banco e uma tela, e ficarei uma semana a ver-te pintar, de lençol entrelaçado no corpo. Escrever-te-ei todos os dias, enquanto te fito, e obrarei um best-seller, um elogio ao amor. Levantas-te com graciosidade e em passos pequenos – pequeninos - aproximas-te de mim. Deitas-te, transformas a cama em rede dupla, presa a duas palmeiras numa ilha exótica, e ficamos a coleccionar queimaduras solares em plena madrugada, enrolados na confusão de membros mais mimada que encontramos. Corremos o céu a reservar constelações, a alugar pedaços de lua e a projectar viagens a planetas distantes. No fim, não temos absolutamente nada do que planeámos, durante a noite, mas vamo-nos tendo, e enquanto assim for, não há um despertar sem que olhe para o lado e me cause a melhor disposição da vizinhança. Eles não sabem o meu segredo, nem vão saber, não abdico dele por nada. A culpa é tua. Sempre tua.

Troglodices

Rasgas a noite em tons delicados, e deixas um rasto brilhante atrás de ti, qual estrela cadente. Embrulho-te a face com as mãos, guardo-te em segredo e sussurro - não fujas, sim? Crava em mim o teu perfume, e deixa-me na beira da estrada, sentado, a inspirar-te. Prometo não fugir até que um dia voltes, nem que fiques longe muito tempo. Nem que demores um vida, vou tentar ser simpático quando tocares à campainha - talvez resmungue um pouco e faça a primeira birra. Mas diz que não, que não vais esperar pela velhice para dizer que sim. Diz-me agora o que disseste ontem e o que reafirmaste hoje. Conta-me histórias e perde-me em memórias, enche-me de sorrisos e beijos e deita-te comigo, que eu protejo-te do frio do Verão. E relembra-me amanhã, que as palavras perdidas nos dias de hoje, estão guardadas na caixa vermelha dos melhores momentos do passado. Se algum dia eu te faltar, não temas, ter-me-ás onde sempre me tiveste, bem no centro da metade esquerda da caixa torácica. Tranquei-me dentro de ti. Agarrei-te. Escondi a chave bem longe, vi-te e sorri. Não te largo nunca mais.

quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Auto-Broche

A melhor fonte de teorias para vomitar no blog é, claro está, a conversa de gajos. Acontece que há algo de que já me apetecia falar à muito tempo, por cá, mas, pronto, nunca aconteceu. Será então preenchida a lacuna. Falo, como talvez tenham deduzido pelo título, do sexo oral auto induzido. Impossível, dizem vocês. Falso, respondo eu.
Era eu ainda um jovem catraio, quando surgiram rumores de que o guitarrista do Marilyn Manson teria retirado uma costela para poder - e cito o que se ouvia na altura - fazer um broche a si próprio. Ora um boato destes segue o caminho de todos os boatos de coisas escandalosas - passa por verdade. Depois uma pessoa cresce e pensa de forma diferente: Pá, e quando um gajo era puto e acreditava naquela merda do gajo que tirou a costela p'ra se brochar? Só mesmo gajos como nós para acreditarmos nisso... Mas lá que era uma coisa de rei, isso era.
Era eu ainda um jovem, também, quando comecei a perceber que o facto de contorcionistas estarem na televisão e a minha pila crescer poderia estar relacionado. Percebi, depois, que elas devem fazer sem problemas a tarefa a que o tal guitarrista se propunha. Ou seja, está provado que não é impossível.
Melhor: para que raio uma pessoa quer fazer oral a si próprio? Pessoal, que seja a última vez que me fazem uma pergunta tão idiota. Respondo-vos com uma pergunta:
Para os gajos:
Preferem uma punheta ou um broche?
Para as gajas:
... Não vou ser porco, acho que deduzem. Para quem não deduz, a pergunta acaba em minete.
E se por um lado há muitas raparigas que não simpatizam muito com o minete, garanto-vos que não há gajo que se arme em esquisito com o broche. Se o vosso mais que tudo não gostar muito, das duas uma: ou está a mentir (paragem cerebral, certamente) ou vocês é que não gostam e ele é manso ao ponto de não conseguir dizê-lo.
Isto leva a outro tema frequentemente discutido, e que está intrinsecamente ligado ao que tenho vindo a dizer desde à muito tempo para cá: na masturbação podemos - e cito um caro colega de curso meu, famoso por certas expressões - foder as melhores gajas do mundo, basta querer. Agora digo eu: imaginem meter as melhores gajas do mundo a fazerem-nos um broche! Já se consta que, caso algum dia seja possível tal prática, os relacionamentos com o sexo oposto ficam em vias de extinção. É como convidarem um gajo para ir jogar futebol e rejeitar por ter o PES em casa. Não é a mesma coisa, mas não deixa de ser futebol.
O grande entrave à aceitação desta prática - há sempre um senão - é, vendo bem, o mais óbvio: teríamos, nós, gajos, de fazer um broche. Tudo bem que é a nós próprios, mas um broche é sempre um broche. O melhor pensamento para ultrapassar esta barreira seria o de que já batemos punhetas a nós próprios, a partir do momento em que isso é aceite como um acto másculo, porque razão fazê-lo com a boca não o seria? (Hesitei bastante em escrever o final desta última pergunta, a expressão fazê-lo com a boca estava dar-me uma certa volta ao estômago.) Isto para não falar de que depois seríamos todos catalogados em dois tipos de gajos, os que cospem e os que engolem. (Deus, ajuda-me) Ok, vou parar com estas teorias, estou a sentir-me homossexual. Viram? Escrevi homossexual em vez de paneleiro. Paneleiro! Fala mas é de gajas.
Última coisa, em defesa das mulheres: então e o pipi, pá? Não iam vocês sentir falta dum pipi, sempre a levar com broches e punhetas? Não posso responder a essa pergunta com bases científicas visto que não sei de casos de pessoas que só tenham tido broches e punhetas auto induzidos durante um período alargado das suas vidas - só punhetas conheço muita gente, mais de meio mundo, provavelmente -, no entanto se é certo e provado que não vivemos sem vocês, e vocês sem nós, mais verdade é ainda que não vivemos sem o pipi, tal como vocês também se vêm aflitas para sobreviver sem a pila. Por isso não temam, por muitos estratagemas que o cérebro masculino magique para tentar criar uma certa independência vossa, eles esbarrarão na eterna necessidade de vos ter por perto, para o bem ou para o mal, para a paz ou para a guerra, para o broche ou para o minete.
De qualquer forma vou tentar aprofundar os meus conhecimentos com contorcionistas, para saber mais sobre a temática do sexo oral, para poder - apenas e só - ter novos argumentos quando tal assunto for novamente puxado em discussões.

domingo, 12 de Julho de 2009

Conselho

Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar. Estuda, já está quase a acabar.



E a frase votada como a mais proferida nesta época é... Para o ano é que vai ser!

Mas vai ter de ser, mesmo.

terça-feira, 7 de Julho de 2009

Sondagem - Análise

Então e na altura desta última Queima, andaram ao amor?

9 (16%) Não, sinto-me tão feio/a
5 (9%) Só uns beijitos, conta?
1 (1%) Fiz o filme a tudo o que passava, mas ninguém colou.
9 (16% Fizeram-me o filme, mas cortei tudo, sou inacessível
3 (5%) Claro, mas várias vezes, Queima é Queima!
4 (7%) Sim, e apaixonei-me! Obrigado Queima!
1 (1%) Faz-se mais alguma coisa na Queima?
7 (13%) Não te vi na Queima.
14 (26%) Sou a vizinha do andar de cima, Rui, deves saber bem que fodi que nem uma porca, não ouviste a cama a chiar e os gemidos? (Ouvi sim, sua gorda, não me deixavas dormir!)

Total de votos: 53


Bem, antes de mais tenho a dizer duas coisas:
1 - Esta votação foi quase tão concorrida como as eleições para a presidência do Benfica.
2 - Espero que a vizinha do andar de cima não leia o meu blog.

Sabem o que é bom em tempo de exames? Falar da Queima. Não, pois não? Pois não... Mas por amor à pátria, lá faço o sacrifício, por vocês.
Parece que a Queima já foi à tanto tempo que falar dela parece falar das brincadeiras de criança que tinha num pátio (Adoro a palavra pátio, lembra-me sempre pato. E dá para trocadilhos. Arroz de pátio...? Pronto, cala-te.) no meio de uns prédios perto de minha casa. Para que conste, nesses ditos prédios morava a minha professora primária - é casada, e o marido teve uma trombose, zau, mereceste, pelos castigos que me deste ao longo dos anos. Onde ia? Ah, Queima. Se me faltarem as memórias para basear o meu estudo perdoem-me, mas a minha memória não é de ferro. Muito menos nessa altura.

O que retiro dos resultados desta sondagem é uma conclusão muito simples, nenhum votante andou ao sexo. De seguida apresento a minha teoria:
Hipótese 1: Partindo do princípio que são vocês os primeiros a dizerem que não andaram, e que ainda por cima são feios/as, quem sou eu para duvidar ou, pior, tentar mudar a vossa opinião? Ninguém. Continuem feios e para o ano estarão a votar na mesma opção.
Hipótese2: Só uns beijitos não faz um acto sexual. E aquela vez que apanharam o vosso alvo todo bêbado/a e lhe sacaram um beijo não devia contar, mas como sou apologista dessas coisas - e a Queima também - dou-vos crédito por isso.
Hipótese 3: Um votante, apenas. Coitado. Ao menos és sincero (não quero imaginar uma votante feminina nesta hipótese). Então andaste lá na pesca furtiva e nem um robalo levaste para o jantar? Mas admiro a atitude, o pensamento é que mais cedo ou mais tarde alguma coisa cairá na rede. Eu acredito em ti!
Hipótese 4: Pfff, mas que grande mentira. Com que então muito cobiçados, hein? Lá por alguém meter paleio convosco não quer dizer que vos quer comer. Lá por alguém vos oferecer uma bebida não quer dizer que vos quer comer. Lá por alguém vos meter a mão na cintura não quer dizer que vos quer comer. Lá por alguém atacar os vossos lábios e desatar a tentar meter a mão em tudo que é sítio não quer dizer que vos quer comer. Pronto, quer. Mas não comeu - sou inacessível, dizem vocês. Logo não andaram ao sexo. Mas o ponto importante desta hipótese é que: vocês acham que demasiada gente vos quer comer, quando as pessoas na Queima querem é confraternizar, o sexo é a última coisa em que se pensa nessas alturas. *irony mode off*
Hipótese 5: Mentirosos outra vez. Dos 3 votantes, talvez um o tenha realmente feito, mas é pouco provável. A votação era para dizerem o que fizeram, não para descarregarem utopias. Bem sei que o blog já se chamou Utopic Nights (tão gay, valha-me deus), mas já passou a Noites Difíceis, acho que pode estar de algum modo ligado à vossa prestação na Queima. Vale a coragem. Se votaram de consciência tranquila, cumpriram com a tradição, e isso é um orgulho para a comunidade académica.
Hipótese 6: Faz-se: bebe-se e anda-se a rebolar pelo chão do recinto. Embora possas beber enquanto andas ao sexo. E rebolar, também. E no chão do recinto, também. Nunca experimentei - nenhuma delas. Mas a mim não me enganas tu, seu votante toleco, que vens para aqui dizer que não fazes mais nada na Queima a não ser afogar o ganso. Repara: a Queima durou mais de uma semana, e por Queima entende-se todo o período de 24 horas diário, desde a serenata até ao encerramento. Ora o que afirmaste foi que não fizeste mais nada na Queima a não ser isso. Acho fisicamente impossível. O corpo humano não aguenta mais de 3 dias sem água, percebes? A não ser que sejas o gajo daquele programa do Discovery Channel, o Ultimate Survival, que come tudo que lhe aparece à frente e anda por sítios que não lembram a ninguém (um bocado à semelhança de todos nós, na Queima).
Hipótese 7: Oh, não digam isso que fico de coração partido. Eu estive à vista de todo o mundo, sempre muito feliz e pronto a receber o abraço caloroso de quem me lê. Aliás, ainda falaram comigo sobre o blog umas vezes, mas não rolou nada. A maior parte das vezes por terem sido gajos a fazê-lo. Sortes. Mas não desistam, por favor (não estou a falar para os gajos, obviamente).
Hipótese 8: Com que então um T3 e vivem 14 pessoas aí em cima? Pois bem me parecia que a barulheira que se ouve quase todos os dias não é por acaso. Ou então a gorda é tão gorda que vale por 14. E vale mesmo. Esta última hipótese é a excepção que confirma a regra. Esta sei bem que andou ao sexo. Aliás, esta não andou ao sexo, esta fodeu e fodeu bem. Foda-se, é triste chegar a casa bêbado, querer dormir a todo custo na nossa cama (que é a melhor coisa do mundo, quando se chega da noite) e haver algo que nos impede. Algo barulhento. Algo que chia. Que geme. Que grita. Que... dá lapadas. Com força. (a certa altura estive para chamar a polícia, pensei que pudesse estar a ser espancada, coitada) E o Rui que vos ature as diabruras. Que vos ature 3 vezes numa semana! (O que é grave, porque é a prova de que quem lá foi gostou - acho impossível. Podem ter sido também três clientes diferentes - mais possível. E provável.) E depois não se queixem do mau humor do dia seguinte, se me virem com olheiras não me perguntem o porquê - fodam menos!. É que foi o ano todo num silêncio total, chega-se à Queima e é o desabrochar (Gostaram da palavra desabrochar? Está mesmo adequeada à situação. Eu acho. Quer dizer, suponho.) da loucura. É isto que eu admiro nestas épocas, lá se vai o pudor, os princípios e que venha tudo que envolva o açambarcar de uma boa pila. Que o digam vocês, 14 pessoas do andar de cima, certo?