quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Thougts of a dying atheist

Dirigiu-se à varanda, abriu as portadas e respirou o ar gelado. Não estavam mais que cinco graus, lá fora, e o grito da noite era um voto de silêncio. Acendeu o último cigarro, esfregando as mãos uma na outra para enganar o frio. Tirou da mochila a máquina fotográfica e registou a cara da cidade, naquele instante, vezes sem conta. Tantas vezes já o tinha feito e tão poucas lhe soube que se estava a repetir. Havia algo ali de difícil descrição. Algo a pedir o uso do velho ditado, uma imagem vale por mil palavras. Ao fim de cem disparos considerava-se na posse de cem mil palavras. Escrevera uma enciclopédia sobre ela, pensou. E mesmo assim não bastava. Queria mais. Queria todas as páginas do universo manchadas com a tinta da sua caneta velha. Queria tatuar aquela cidade em todos os cantos do planeta, para que este se apercebesse que, apesar de pejado de inúmeras outras, possuía apenas uma assim. E que apenas aquela lhe fazia ganhar - nunca perder - a noite a fitá-la, horas e horas, na esperança de a descrever exactamente como a vê. Chamar-lhe-iam louco, no dia em que o fizesse, caso o lessem. Considerar-se-ia louco, se não reservasse uma vida para o testar.

6 comentários:

Serendipity disse...

Já tinha saudades de te ler. Welcome back ;)

Carla Dias disse...

finalmente =)

gostei*

Rui disse...

Obrigado :)

Ela que veio da espuma do mar... disse...

Cada vez mais tenho a certeza de que as noites difíceis são fáceis de escrever :)
Andas meio ausente, Ruizinho! Beijinho

Rui disse...

Tenho tido dificuldades em ter noites difíceis :p *

Ela que veio da espuma do mar... disse...

Isso pode ser bom :)